Inspo/Inspiração Morar Fora/Life Abroad

10 years living abroad / 10 anos como imigrante

In 2022 I completed 10 years living outside Brazil. 10 years straight. There are about 2 more years between coming and going. 10 years of immigrant life. Madness!

When I left Brazil, I didn’t have any illusions that it would be better or worse, I just knew that it would be diferent, and I needed to be different. I always loved Brazil. The food, culture, people, relationships, smiles, music, weather – maybe a little less – I romanticized the change of seasons more markedly.

I didn’t expect much from the context of living abroad. I didn’t know if I would forever stay on the sidelines of jobs, society, language. I didn’t really bother with any of that. I went.

When I arrived, I was soon able to see even more clearly what was good about Brazil. In addition to the list mentioned above, I immediately think of services, the easiness of creating bonds, of communicating – something that goes beyond languages – in fact our language, how beautiful you are and how funny! Our passion for things, our madness for cleanliness, our lightness and human warmth. The list is extensive. But living abroad has its charm. The unknown, the seasons, the new flavors, the security, the new languages, the mixture, the snow, the neighborhoods, the buildings, the space between one and the other.

Being an immigrant is not easy, but when positive, it is an opportunity to reinvent yourself, to build one or more identities, an opportunity to question who we were, who we are, who we want to be. It is an opportunity to sometimes be from the world, sometimes from the new country and always Brazilian. It is also nostalgia and idealization. Time passes and everything left behind becomes a romantic and idealized memory, unattainable. The Brazil I left no longer exists and the new Brazil is my foreigner. We are thus two (un)known strangers who walk together on different routes.

Nowadays I don’t know if I would return to Brazil by choice. Living abroad was and remains who I am and what I want. Even if it implies a constant adaptation, a struggle to find your space and your way. But I know that if I were to go back, that everything would be fine too. Brazil lives in me. In the rice and beans that I eat almost every week, in the joy I try to live, in the empathy I try to emanate, in the bonds I create.

Over time, the food is not so much missed, the climate is softening, music is easy to consume all over the world. What is really needed are people, relationships, the richness of our language. This is a longing that doesn’t go away. But we learned to live together. Being a foreigner is a daily exercise, but in the end we are all “the other’s foreigner.”

Em 2022 completei 10 anos morando fora do Brasil. 10 anos seguidos. Tem mais uns 2 perdidos por aí entre vai e vens. 10 anos de vida de imigrante. Que loucura!

Quando sai do Brasil não cultivei ilusões de que seria melhor ou pior, apenas sabia que seria diferente, e eu precisava do diferente. Eu sempre amei o Brasil. Comida, cultura, pessoas, as relações, os sorrisos, a música, o clima – talvez um pouco menos – eu romantizava a mudança de estações de formas mais marcadas. 

Não esperei muito do contexto de morar fora. Não sabia se pra sempre ficaria na margem dos empregos, da sociedade, da língua. Não problematizei muito nada disso. Eu fui.

Quando cheguei, eu logo pude ver ainda com mais clareza o que o Brasil tinha de bom. Além da lista citada acima, penso logo nos serviços, na facilidade de criar laços, de comunicar – algo que vai além da língua – aliás, nossa língua, que bela és e que jocosa! Nossa paixão pelas coisas, nossa loucura por limpeza, nossa leveza e calor humano. A lista é extensa. Mas, morar fora tem seu charme. O desconhecido, as estações, os novos sabores, a segurança, as novas línguas, a mistura, a neve, os bairros, as construções, o espaço entre um e outro.

Ser imigrante não é fácil, mas quando positivo é uma oportunidade de se reinventar, de construir uma ou mais identidades, uma oportunidade de questionar quem éramos, quem somos, quem queremos ser. É oportunidade de às vezes ser do mundo, às vezes do novo país e sempre brasileiro. É também saudade e idealização. O tempo vai passando e tudo que ficou para trás vira uma memória romântica e idealizada, inatingível. O Brasil que eu deixei não existe mais e o novo Brasil é meu estrangeiro. Somos assim dois estranhos (des)conhecidos que caminham juntos em rotas distintas. 

Hoje em dia não sei se voltaria para o Brasil por escolha. Morar fora foi e continua sendo quem eu sou e o que eu queria. Mesmo que isso implique uma adaptação constante, uma luta para achar teu espaço e teu caminho. Mas, sei que se fosse para voltar, que tudo estaria bem também. O Brasil habita em mim. No arroz e feijão que eu como quase toda semana, na alegria que eu tento viver, na empatia que eu tento emanar, nos laços que eu crio.

Com o tempo a comida não faz mais tanta falta, o clima vai amenizando, a música é fácil de conseguir consumir no mundo todo. O que faz falta mesmo são as pessoas, as relações, a riqueza da nossa língua. Essa é uma saudade que não passa. Mas que aprendemos a conviver. Ser estrangeiro é exercício diário, mas no final somos todos o “estrangeiro do outro.” 

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