Fashion Life Style/Estilo de Vida

Summer Bodies & Other Myths / Corpo De Verão e Outros Monstros

Você está feliz com seu corpo? Sua altura, sua forma, seu peso, sua musculatura, as mudanças da idade, os pelos, as pintas? Você sente pressão para ter um certo tipo de corpo? Sua relação com a comida está saudável? 

Se você respondeu não para alguma das questões acima, não se preocupe tanto, afinal você não está só! A sociedade também nos impõe modelos de corpos e define, por nós, o que seria visto como saudável e belo. Tudo isso é ampliado pelas redes sociais e cada vez mais escuto histórias e causos diversos sobre a velhaca dismorfia corporal generalizada, que pode ser potencializada no verão que nos remete ao famoso slogan: Corpo de verão! 

Are you happy with your body? Your height, your forms, your weight, your musculature, the changes of age, your body hair, pimples and spots anyone? Do you feel pressure to have a certain body type? Is your relationship with food healthy?

If you answered no to any of the questions above, don’t worry so much, after all you are not alone! Society also imposes models of bodies on us and defines, for everyone, what would be seen as healthy and beautiful. All of this is amplified by social media and I increasingly hear different stories about body dysmorphia, which can be enhanced in the summerseason that brings us to the famous slogan: Summer Body!

E, que corpo é esse? 

And, what body is that?

Todas as tribos têm aí seu dilema com o corpo, mas a comunidade Queer tem uma ligação – eu ouso dizer – ainda mais intensa. O culto à beleza, a estética, a questão dos gêneros, do feminino, do masculino, tudo isso faz parte não somente da nossa cultura, mas de questionamentos centrais da ditadura de gênero e da binariedade que assolam múltiplas sociedades e que acabam por nos invisibilizar. Querem mesmo é apagarem as queerzudas, inclusive as gordas, as pretas e afeminadas. Cuidado, gente!

Eu me pego algumas vezes no mês não me sentindo bem em nenhuma roupa, porque me deixou baixo demais, marcou a barriga, apertou na coxa, afunilou demais na canela, e assim vai. Dependendo do espelho me sinto esbelto, no outro me sinto largo, atarracado… Já perdi longos e preciosos minutos  (pra não dizer uma hora) trocando de roupa e finalmente perdendo a vontade de sair porque o dilema todo me deixou exausto. 

Nas redes tiramos fotos de baixo pra cima e somos todos altos, de pernas longas, curados pela estética do momento. Eu faço parte disso e consigo achar interessante, mas a realidade está fora das câmeras e as pílulas estão nos deixando cada vez mais doentes – a Pink tinha razão! Sofremos, mudamos a dieta, cortamos a batata frita naquela semana. Aumentamos a dose de exercício, dieta líquida semana vem! Água para cortar a fome, e se não cortar, vamo de cigarrinho mesmo. Loucura!

Daí tem uma semana boa, aceitação, se sentindo bem, tá linda. Uma deslizada a mais no Instagram e pronto, voltamos à estaca zero. Convenhamos que as roupas não são feitas para todos os corpos, somos bombardeados por regras e diagnósticos o tempo todo, as colegas fitness – que odeio ferozmente! – etc. A mudança não vai chegar amanhã e a gente que lute para manter nossa sanidade. 

Que lindo seria comemorarmos, exaltarmos e aproveitarmos cada fase dos nossos corpos. Jovens, velhos, pequenos, altos, esguios, largos, curvilíneos, retos, enfim… Que bom seria, será que chegamos lá? Não sei, esse texto aqui não traz receita milagrosa e nem devolve a autoestima em 30 dias. Mais um desabafo, ou uma reflexão em voz alta – porque sim, esse texto deve ser lido dos pulmões pra fora. Vociferado a todes! Aff!

O que me dá esperança é viver um pouco desse momento que tem um sopro de inclusão, uma moda mais andrógina, menos binária… Mas, não vamos nos enganar porque ainda somos mais aceitos fora da binariedade e da ditadura corpórea nas poucas revistas e nas bolhas das grandes cidades. A batalha é longa, mas não nos esqueçamos do que é preciso para um belíssimo e cobiçado “corpo do verão”: 1) Tenha um corpo e 2) espere calmamente pela chegada do sol estival!

Repitam esse mantrinha com a tia aqui: Todos os corpos são corpos de verão! Meu corpo é válido! Eu tô gostosa (com a voz da Nazaré Tedesco)!

Às vezes funciona… Hoje eu tô bem e vivemos um dia de cada vez né mores, um dia de cada vez. Eita, tô vendo aqui que o pelo do antebraço já está cumprido, pera ai, já volto. Beijocas!

All tribes have their dilemma with the body, but the Queer community has an even more intense connection – I dare say. The cult of beauty, aesthetics, the issue of genders, feminine, masculine, all of this is part of not only our culture, but central questions of the gender dictatorship and binary that plague multiple societies and that end up making us invisible. What they really want is to erase the queer folks, including the fat ones, the black ones and the effeminate ones. Watch out, gurls!

I catch myself a few times a month not feeling well in almost any of my clothes, because it left me too short, marked my belly, squeezed my thigh, tapered too much on my shin, and so on. Depending on the mirror, I feel slender like a model, on the other I feel wide and short … I’ve already lost long and precious minutes (not to say an hour) changing clothes and finally losing the will to go out because the whole dilemma left me exhausted.

On Instagram we take pictures from the bottom up and we are all tall, with long legs, cured by the aesthetics of the moment. I am part of this and I can find it interesting, but the reality is out of the camera and the pills are making us more and sicker by minute – Pink was right! We suffer a little, we change the diet, we cut the potato chips out that week. We increase the dose of exercise, liquid diet next week! More water to dimmish that hunger feeling, and if it doesn’t, let’s go for a cigarette. Crazyyyy!

Then you have a good week, acceptance, feeling good, it’s beautiful. One more slide on Instagram and that’s it, we’re back to square one. We’ve got to admit that that the clothes are not made for all bodies, we are bombarded by rules and diagnoses all the time, not to mention our fitness colleagues !  Change will not come tomorrow and it’s a struggle to keep our sanity.

How beautiful it would be to celebrate, exalt and enjoy each phase of our bodies. Young, old, small, tall, slender, wide, bootylicious… How amazing would it be, will wee get there one day? I don’t know, this article does not bring a miraculous recipe and does not return self-esteem in 30 days. It’s rather an outburst, a reflection out loud – because yes, this text must be read OUT LOAD. Let’s ROAR!

What gives me hope is to live in this time with a little pinch of inclusion, a more androgynous, less binary fashion … But, let’s not be mistaken because we are still more accepted outside binary and bodily dictatorship in the few magazines and in the bubbles of big cities. The battle is long, but let’s not forget what it takes for a beautiful and coveted “summer body”: 1) Have a body and 2) wait calmly for the summer sun to arrive!

Repeat this little mantra with us: All bodies are summer bodies! My body is valid! I’m hot (with the voice of Nazaré Tedesco – a Brazilian soup opera character really popular for this meme here )!

Sometimes it works … Today I’m fine and we’ve got to live one day at a time, you know, one day at a time. Jeez, I see here that the hair on the forearm is already long, wait a minute, I’ll be right back. XoXo! 

*This article was written with Lulu Oliveira and all images were taken by the Miranda team / Esse texto foi escrito junto com Lulu Oliveira e as fotos foram feitas pela equipe da Miranda.

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